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Pergunta 14

P: Sou o meu pior inimigo. Estou sempre com pensamentos de auto-censura, de rebaixe constante, de menosprezo de mim mesmo. Há quem goste de mim e faz-me elogios. Recebo carinho e amor dos outros mas não sinto que os mereça. Porque me trato tão mal?

 

R: Aquilo que hoje somos, é reflexo do somatório das vivências passadas, das nossas relações, do ambiente em que somos educados, da escola onde estudámos, da cultura e sociedade em que vivemos. Ou seja, questões relativas à autoestima devem-se a uma panóplia de experiências do sujeito que se condensam nesse sentimento de menos-valia. É possível existir quem conquiste fama, dinheiro, valorização dos outros e estatuto, mantendo o seu sentimento de incapacidade e desvalor. Procuram desenfreadamente uma validação externa de si mesmos, estudando mais, tirando mais cursos, ganhando mais fama e notoriedade, porém a lacuna é interna e persiste. Se efetivamente é interno e pessoal, requer um trabalho de escuta e entendimento íntimo que a psicoterapia consegue oferecer.

Habitualmente a baixa autoestima reporta-se à infância sob um tipo de vinculação insegura à figura materna/cuidadora. O bebé que cresce a sentir que não atendem às suas necessidades, não o observam enquanto ser único, não respeitam os seus ritmos, o seu desenvolvimento natural, não o elogiam pelo seu trabalho e esforço, não recompensam, não são gratos, quando crescer tem propensão a tornar-se um adulto medroso, inseguro de si, esquivo, com dificuldades nas relações interpessoais, com problemas de identidade e sem limites pessoais próprios. Sublinho que não é uma equação rígida, pois que ao longo da vida outras pessoas e outras relações podem ajudar no alcance de maior maturidade emocional que na infância não se adquiriu.

A baixa autoestima também pode nascer do ambiente escolar, da relação com os professores e colegas de turma, do grau de inclusão da criança neste ambiente. O Bullying corrói a autoestima de quem é vítima; bem como as vítimas de violência doméstica e os trabalhadores que sofrem de assédio laboral e/ou sexual. Sempre que haja a invasão do meu ser, da minha intimidade, das minhas fronteiras enquanto ser humano digno e respeitável, dos meus valores e ideais, cria-se uma vulnerabilidade e uma lacuna no amor e na confiança que temos por nós mesmos.

A ajuda de um psicoterapeuta é sempre válida, mesmo que não haja uma psicopatologia subjacente. É aberta a possibilidade do sujeito melhor se conhecer, reconhecer os seus limites, edificar as suas fronteiras, valorizar os seus feitos, reconhecer as suas lacunas e encontrar estratégias e defesas para assim se abrir ao mundo, confiante e orgulhoso.